Descubra quais são as tendências em tecnologia jurídica

07/12/2018 | 4 min. de leitura

A forma como interagimos com a tecnologia está em constante transformação, e a Justiça brasileira acompanha esse movimento. Monitoramentos, análises e controles de informações são algumas das ações proporcionadas pelo uso da tecnologia jurídica.

No segundo post da série especial sobre o Dia da Justiça, comemorado em 8 de dezembro, apresentamos as principais tendências em tecnologia jurídica para 2019. Algumas estão em fase inicial, outras, em seu caminho de consolidação. Confira suas características e vantagens em aplicações para a Justiça brasileira.

Consolidação de aplicações na nuvem

Aplicações na nuvem estão em constante crescente e a caminho de sua consolidação. O estudo “Como vamos na América Latina”, realizado pela empresa americana de tecnologia Citrix, mostrou que o Brasil, entre os países pesquisados, é o que mais utiliza plataformas e infraestruturas em nuvem, atingindo 57% de empresas adeptas desta tecnologia.

A infraestrutura física e interna nas empresas está trilhando sua extinção. Mas além do armazenamento, como Google Drive e Dropbox, e do uso de servidores externos, como Amazon Web Services e Microsoft Azure, softwares têm se adaptado à nuvem com seus serviços.

Os softwares na nuvem possibilitam acesso a arquivos e dados em qualquer lugar e horário, caso haja acesso à internet. Isso permite, com maior facilidade, o teletrabalho (também chamado de trabalho remoto). Recentemente amparado pela Reforma Trabalhista, o teletrabalho também alcança a esfera pública com a resolução 227 do CNJ.

Os principais benefícios dos serviços na nuvem, além do teletrabalho, estão na redução de custos com hardwares e softwares, otimização de tempo e aumento na produtividade. As variedades das soluções são categorizadas em:

  • Softwares as a Service (SaaS)
  • Platform as a Service (PaaS)
  • Infrastructure as a Service (IaaS)

RPA dotado de machine learning

Simular uma atividade humana e eliminar a necessidade de desenvolvimento de integrações e web services. Com a Automação de Processos Robóticos, ou RPA (sigla em inglês para Robotic Process Automation), os robôs tornam-se capazes de se adaptar às mudanças do sistema de forma autônoma a partir do aprendizado da máquina (machine learning).

O uso da automação de processos permite que se tenha um maior tempo de dedicação para trabalhos de alto valor intelectual, já que é possível configurar o robô para capturar e interpretar aplicativos capazes de realizar uma transação, manipular dados, desencadear respostas e comunicar-se com outros sistemas digitais.

O RPA analisa os comandos mais comuns ditados pelo programador ou, neste caso, pelo advogado, e aprende o que está sendo feito para antecipar as ações humanas, passando a interpretar processos específicos, manipulando dados e iniciando novas ações.

Contratos inteligentes com blockchain

O Fórum Mundial Econômico estima que 10% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) mundial estará sob blockchain até 2027. No Brasil, temos o exemplo da Prefeitura de Teresina, que será a primeira no mundo a utilizar blockchain no transporte público.

O blockchain fornece um modo de confiança alternativo e elimina a necessidade de autoridades centrais em arbitragem de transações. Assim, surge o uso de contratos inteligentes (smart contracts). São contratos 100% digitais que, no lugar de termos jurídicos, representam suas regras por meio de código computacional que podem ser executados por máquinas.

Essa tecnologia tem o potencial de transformar o exercício do Direito em sua forma de guardar ou registrar informações de forma prática e segura. O armazenamento de informações alocadas no blockchain exclui a dependência de uma autoridade certificadora centralizada, como um cartório. Isso porque o blockchain funciona como uma espécie de livro-razão digital que registra todas as transações. A informações são distribuídas em milhares de servidores ao redor do planeta, o que o torna muito difícil de ser fraudado.

Jurimetria

A estatística aplicada ao direito, chamada de jurimetria, tem sido utilizada em conjunto com softwares jurídicos num modelo para tentar prever resultados e oferecer probabilidades e valores envolvidos nas análises.

O uso da jurimetria é capaz de proporcionar análises diagnósticas que permitem, em uma outra camada, focar em análises preditivas e prescritivas. Com isso, cenários futuros são construídos baseados no comportamento dos processos em andamento.

A jurimetria, em conjunto com a Ciência de Dados, já tem sido usada por escritórios de advocacia e departamentos jurídicos. Apesar de a aplicação de estatística e probabilidade no estudo de fenômenos jurídicos não ser algo recente, a eficiência das análises está se consolidando e provendo resultados assertivos no ganho de ações, controle de indicadores da área jurídica e redução de decisões baseadas na intuição.

Inteligência Artificial democratizada

A disponibilização de soluções jurídicas que utilizam a Inteligência Artificial em seu desenvolvimento tem sido gradual. Novas oportunidades surgem com a adaptação de uso e aplicações da IA, de modo que instituições públicas, departamentos jurídicos e escritórios de advocacia já têm algum contato com essa tecnologia.

O auxílio de advogados na construção e treinamento de soluções, como chatbots, já toma espaço no mercado jurídico. As chamadas curadorias técnicas, em que o advogado realiza a supervisão de treinamentos matemáticos para a melhoria dos resultados da IA, e a Geração de Linguagem Natural (NLG) para a construção de peças judiciais são algumas das novas oportunidades da democratização da IA.

Apesar de muitos profissionais temerem a substituição do trabalho humano por robôs, é importante dizer que o aspecto humano é imprescindível na gestão dessas tecnologias.

Marketing jurídico

Usado para destacar os diferenciais competitivos e entregar mais valor aos clientes, o marketing jurídico está tomando proporções cada vez maiores. Sem ferir o Código de Ética e Disciplina da OAB, a estratégia eficaz pode ser um auxílio para prospectar clientes na advocacia ao focar a produção de conteúdo para o exercício da profissão e se tornar autoridade no meio jurídico.

Leia todos os posts da série especial Dia da Justiça

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