Futuro da Justiça: instituições se reúnem para discutir o uso da inteligência artificial no Direito

Futuro da Justiça: instituições se reúnem para discutir o uso da inteligência artificial no Direito

Futuro da Justiça - Enastic JF

O futuro da Justiça está apoiado cada vez mais na inteligência artificial. Este foi o foco da discussão do evento sobre inovação no Judiciário. Cerca de 300 participantes se reuniram nesta semana no Conselho da Justiça Federal, em Brasília. Eles acompanharam o Encontro Nacional de Tecnologia da Informação (Enastic – Justiça Federal) e o Seminário de Inteligência Artificial e Direito.

Para Rogerio Schietti Cruz, ministro do Superior Tribunal de Justiça, o Direito talvez seja a ciência mais conservadora de todas. Além disso, é uma ciência que centraliza todos os acontecimentos atuais da nossa sociedade. “Temos hoje uma judicialização excessiva. Devemos ser capazes de encontrar soluções que deem vazão à alta demanda sem comprometer a qualidade”, argumenta o ministro.

O futuro da Justiça começou a ser trilhado há alguns anos. Muito em breve, todos operadores do Direito terão tecnologias capazes de potencializar consideravelmente a sua performance. Isso, consequentemente, alavancará os resultados das instituições da Justiça, que darão respostas mais assertivas e rápidas aos cidadãos.

Futuro da Justiça: uma nova revolução industrial

Ainda que muitos profissionais tenham como referência de inovação os filmes de ficção científica, diversas soluções de inteligência artificial já estão disponíveis e indicam uma nova transformação digital para o futuro da Justiça. Um dos objetivos fundamentais é qualificar o trabalho dos profissionais e otimizar seu tempo, promovendo uma maior produtividade.

Para Bruno Feigelson, presidente da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), o grande problema do Brasil é o Contencioso. “Os Estados Unidos já estão aplicando a inteligência artificial de forma bastante intensa para desafogar o Judiciário”, conta.

Uma pesquisa da Singularity University avaliou o desempenho de um grupo de advogados e de apenas um robô numa mesma tarefa. O robô analisou os contratos selecionados em apenas 26 segundos. Já os advogados, levaram mais de duas horas para finalizar a atividade. O nível de acerto do robô foi o mais alto: cerca de 90%.

Nesse sentido, os estudos atuais evidenciam que a inteligência artificial é a maior aliada para o futuro da Justiça. “Obviamente, nenhum operador do Direito será substituído. Na prática, ele terá na tecnologia uma ajuda muito mais qualificada para apresentar resultados de excelência”, ressalta Marcos Florão, diretor de Inovação da Softplan, empresa líder na transformação digital da Justiça brasileira.

Exemplos reais da atualidade

Exemplo atual dessa nova forma de atuar na Justiça são as soluções que analisam o grande volume de dados. Elas são capazes de indicar o que acontecerá no futuro. “Isso é possível por meio de plataformas de Big Data, que estruturam os dados e fazem análises preditivas com base na identificação de padrões e fatores externos. Já temos soluções que apresentam altíssimos índices de acerto”, conta Thiago Stabile, coordenador de Inovação da Softplan.

Os exemplos citado por Stabile são os resultados de duas soluções que já estão à disposição dos operadores do Direito. O SAJ Insights pode ser usado pelas instituições públicas da Justiça e o Convex, por escritórios de advocacia e departamentos jurídicos de empresas com alta demanda de processos judicias.

“A partir deste tipo de tecnologia, é possível indicar as probabilidade de ganhos em processos e ainda apontar o comportamento da demanda dentro de um período de tempo. Um Tribunal, por exemplo, pode prever quantos processos de uma determinada classe vão entrar em uma Vara específica nos próximos meses ou anos”, destaca Florão.

O Assistente Digital do Magistrado é o outro exemplo real de soluções disponíveis aos profissionais do Direito. O robô desta solução seleciona todas as partes importantes de um processo e sugere a melhor decisão ao magistrado, já com indicação de jurisprudências e leis. O trabalho do profissional é extremamente otimizado, já que fica responsável pela revisão da peça e pelos argumentos finais.

“É importante ressaltar que o magistrado sempre será a parte fundamental, já que toda a estratégia intelectual é dele. A máquina é que aprende os padrões de cada profissional e passa a trabalhar da forma com que o magistrado avalia ser mais assertiva”, finaliza Stabile.

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