4 exemplos de empresas que utilizam Big Data e que a Justiça deveria seguir

07/12/2018 | 5 min. de leitura

4 exemplos de empresas que utilizam Big Data 2

O Judiciário brasileiro deu um grande salto de produtividade na última década. O principal motivo foi a consolidação do processo digital. E ao mesmo tempo em que permitiu se fazer mais com menos recursos, também facilitou o acesso dos cidadãos à Justiça.

Neste terceiro texto da série especial Dia da Justiça, mostraremos que a resposta para este novo desafio de produtividade na Justiça reside ainda no próprio processo digital. Cada vez mais, todas as decisões, petições e movimentações dos processos jurídicos são feitas pelo computador. Estão armazenadas em servidores. Tudo isso forma um gigantesco banco de dados do Judiciário brasileiro. E exemplos de uso do Big Data não faltam.

Para o advogado, especialista em Governo Digital e ativista da transformação digital no Judiciário Ademir Milton Piccoli, o Big Data deve ser visto com uma ferramenta de apoio à Justiça.

“Essa tecnologia representa um novo elemento no contexto jurídico, pois nos possibilitará saber o que está se passando nos tribunais brasileiros e permitirá, por meio de análises preditivas, a tomada de decisões mais céleres e assertivas”, escreveu no livro Judiciário Exponencial, lançado em novembro de 2018 pela editora Vidaria.

Aplicação do Big Data está consolidada no setor privado

Processar e manipular essa quantidade de dados produzida diariamente na internet deixou de ser um desafio exclusivo para as grandes corporações. Estamos vivenciando a 4ª Revolução Industrial. Computação em nuvem, Internet das Coisas, Inteligência Artificial e Ciência de Dados hoje estão acessíveis para uso comercial. Temos exemplos de empresas de todos os tamanhos já utilizam o Big Data para prever cenários futuros, conhecer o comportamento dos clientes e definir estratégias em tempo real baseadas em dados.

Assim como o setor privado, as instituições da Justiça podem lançar mão do Big Data para gerar valor. Não em termos de negócios e lucros, mas na prestação de serviço à sociedade. No livro, Piccoli listou alguns exemplos de como o Big Data pode ser usado no Judiciário:

  • Agrupamento de processos com decisões similares tomadas em última instância
  • Segmentação para agrupar processos da mesma natureza
  • Automação e centralização de regras de despacho em processos
  • Análise da relação entre pessoas e processos para encontrar processos duplicados, múltiplas ações, entradas sistemáticas, quadrilhas etc.
  • Verificação de jurisprudências que já decidiram sobre um mesmo tema. O processo chegaria ao juiz com a jurisprudência de apoio
  • Análise da propensão de as partes entrarem em acordo. Com base no histórico de conciliações, processos poderão ser direcionados para conciliadores.

Para o executivo de Inovação da Softplan, Tiago Melo, a análise do Big Data do Judiciário possibilita melhores resultados em instituições de todas as esferas.

“Juízes, promotores, advogados passam a ter subsídios para tomar decisões baseadas em dados. Conseguem identificar tendências, casos repetitivos, analisar probabilidade de resultados, tempo de duração do trâmite, acompanhar indicadores de produtividade em tempo real. São muitas as possibilidades”, disse.

Conheça 4 exemplos de empresas que utilizam Big Data e que a Justiça deveria seguir:

#1 – Trabalhando com prazos apertados

A indústria de laticínios Danone trabalha com prazos. O desafio é distribuir os produtos com agilidade antes do fim do prazo de vencimentos. Para isso, é preciso conhecer as demandas regionais e adequar a logística de distribuição para evitar encalhe nos estoques.

Nos Estados Unidos, a empresa utilizou um sistema para otimizar o processo de predição, antes feito manualmente em planilhas. Passou a integrar dados históricos e regionais de mercado com informações sobre clientes e preços. Isso feito de forma ágil, a fim de evitar o vencimento dos produtos.

Graças ao processamento de Big Data, a Danone conseguiu melhorar a capacidade de previsão de demanda de 70% para 98%. Também e triplicou a fatia de mercado de um novo produto.

#2 – Usando os dados gerados dentro de casa

Muitos exemplos de empresas que utilizam o Big Data vêm dos Estados Unidos. Um deles é a rede Macy’s, uma das varejistas mais conhecidas mundialmente. Milhões de clientes passam por suas lojas anualmente em busca das peças de um portfólio com mais de 73 milhões de itens. O desafio é fazer com que os produtos tenham rotatividade no estoque.

A solução sempre esteve dentro de casa. As informações sobre as compras dos milhões de clientes formam um banco de dados sobre comportamento dos consumidores e tendências de moda. Em posse disso, um time de cientistas de dados construiu modelos analíticos para otimizar a cadeia de distribuição.

Hoje, por meio de análise de Big Data, a Macy’s produz relatórios de preços atualizados a cada 27 horas. Suas estratégias de vendas são constantemente atualizadas e os estoques nunca ficam parados.

#3 – Big Data para identificar e prevenir fraudes

Os exemplos de empresas que utilizam Big Data não se resumem a marketing vendas. A tecnologia também é poderosa para o combate a fraudes. Um dos cases é do banco brasileiro Bradesco. O estopim para isso foi um ataque cibernético a caixas eletrônicos em 2013. Para impedir a ação, feita de forma coordenada em diversos estados, a empresa teve que desligar remotamente quase metade dos equipamentos no país.

A ideia de criar um sistema antifraudes veio do fato de cada caixa eletrônico é capaz de gerar 2 mil registros de status a partir de sensores. O banco desenvolveu então um algoritmo para processar esses dados a fim de analisar padrões em tempo real. Assim, passou a ser possível monitorar em tempo real o comportamento das máquinas em cada uma das agências.

Como resultado, o Bradesco conseguiu reduzir de 10 mil para cinco o número de incidentes diários que precisavam de ação humana. A tomada de decisões para evitar fraudes nos caixas eletrônicos passou a ser mais assertiva.

#4 – Identificar casos repetitivos para desafogar processos

O imenso banco de dados do Judiciário também está à disposição da sociedade. Um estudo feito no Laboratório de Ciência de Dados da Justiça da Softplan usou técnicas de Inteligência Artificial para vasculhar esse Big Data em busca de processos semelhantes entre si. Agulhas no palheiro num universo de 65,1 milhões de processos no TJSP, TJRJ e STJ.

O estudo foi feito a pedido da operadora de saúde Amil referente a seis temas de interesse do setor. O objetivo foi encontrar processos semelhantes entre si dentro desses assuntos, para que pudessem ser enquadrados no Incidente de Resolução de Demanda Repetitiva (IRDR).

O IRDR é um instrumento legal introduzido no novo Código de Processo Civil. Ele possibilita que decisões de cortes superiores sejam seguidas de forma automática a processos que tenham os mesmos precedentes. A grosso modo: uma só decisão pode repercutir em milhares de outros processos semelhantes.

A aplicação de técnicas de Ciência de Dados e Inteligência Artificial filtrou os 65,1 milhões de processos para 225 mil petições iniciais. Nesta base, foram encontrados 8.706 casos candidatos ao IRDR. Um total de 3,8% dos processos que poderiam ser resolvidos de forma uniforme, poupando tempo do Judiciário. Este percentual é maior do que os 2,5% de casos vinculados a temas precedentes no Brasil estimado pelo CNJ. O resultado prova que usar técnicas de análise de Big Data é mais eficiente do que os métodos usuais.

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