Quatro tendências para a Justiça brasileira em 2018

Quatro tendências para a Justiça brasileira em 2018

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A Justiça brasileira tem se renovado em conjunto com as tecnologias que integram o seu ecossistema. Entre inovação e transformação, estamos além da substituição do processo físico pelo digital.

A crescente realidade do uso de assistentes digitais e serviços automatizados nos leva a outro patamar. Segundo o Gartner, sistemas inteligentes de auto-aprendizagem continuarão a dominar a maratona tecnológica até, pelo menos, 2025. E ainda de acordo com a empresa de consultoria, há previsão de crescimento em 4% para o setor de tecnologia da informação em 2018Identificamos algumas tendências para a Justiça que devem impactar a forma como os operadores do Direito atuarão durante o ano de 2018.

Elas podem não ser grande novidade, caso você nos acompanhe aqui no SAJ Digital. Mas, estão cada vez mais em evidência e pretendem se expandir ainda mais.

Soluções que utilizam inteligência artificial

Essas soluções já existem e estão criando seu espaço no ecossistema da Justiça de uma maneira incrivelmente rápida. A expansão do uso da inteligência artificial é uma das grandes tendências para a Justiça em 2018. Já vimos aqui, no SAJ Digital, algumas delas: Convex Legal Analytics e a Assistente Virtual da Justiça.

Não serão apenas máquinas para seres humanos, mas também máquinas humanas. Além da inteligência artificial, sistemas com big data, computação cognitiva e machine learning são apostas para auxiliar todos os que se envolvem direta e indiretamente com os mais variados processos.

Nesse rol de soluções, destacamos alguns temas específicos:

Chatbot multipropósitos: os assistentes virtuais já fazem parte de nosso dia-a-dia. Todos os grandes players da quarta revolução já têm o seu. Alexa (Amazon), Cortana (Microsoft), Siri (Apple) e Google Assistant são alguns exemplos. No caso da Justiça, há uma infinidade de aplicações, desde consultas sobre o andamento de processos judiciais, assistência jurídica, busca de jurisprudência, passando por suporte de sistema a usuários internos, normas, procedimentos e resoluções internas.  Já vimos aqui, no SAJ Digital, a aplicação de uma dessas soluções: a Leia, a Assistente Virtual da Justiça.

Automação de processos com RPA (Robotic Process Automation): a automação de tarefas foi o grande motor da terceira revolução industrial na Justiça. A implantação de sistemas como o SAJ (Sistema de Automação da Justiça), construídos a partir de fluxos de trabalho inteligentes é uma das explicações para significativos ganhos em eficiência e celeridade. A quarta revolução industrial amplia as possibilidades de automação para sistemas e bases exógenas, bem como a incorporação de aprendizado de máquina.

Processamento de Linguagem Natural (PLN): análises de teses e argumentos jurídicos dependem de dados confiáveis em quantidade e qualidade. O processamento de linguagem natural permite análises jurídicas mais densas e, consequentemente, decisões mais assertivas e bem fundamentadas. Isso é possível a partir da extração de informação relevante e estruturada das peças processuais, áudios, vídeos de audiências, escutas telefônicas e gravações. Aqui no SAJ Digital, já exploramos esses assuntos na apresentação da solução Convex Legal Analytics e em artigo sobre a PNL.

Integração com o uso do MNI

O Modelo Nacional de Interoperabilidade é algo que vem sendo debatido desde o final de 2015. Se você ainda não ouviu falar sobre ele, confira nosso artigo.

Com uma vasta gama de diferentes perfis na Justiça brasileira, um padrão de comunicação entre sistemas de Tribunais, Ministérios Públicos, Procuradorias e Defensorias é primordial para que a troca de dados seja feita. Estabelecido pelo Conselho Nacional de Justiça, o MNI ainda caminha para o seu funcionamento ideal. Em 2018, deve evoluir em seu número de utilização.

Segundo o diretor executivo da Softplan Ilson Stabile, uma das principais tendências para a Justiça brasileira é abandonar o sistema único de processos, já que hoje, no Brasil, existem mais de 40 sistemas de gestão processual divididos entre 88 Tribunais — superiores, federais, estaduais, militares, eleitorais e do trabalho e cada um deles apresenta sua própria realidade e especificidade.  

Os Tribunais de Justiça de São Paulo e do Mato Grosso do Sul são alguns dos que já adotaram o MNI.

Justiça mais próxima do cidadão com a tecnologia inclusiva

Aplicativos, processo digital, acesso na nuvem, tudo isso proporciona uma grande acessibilidade e aproximação entre a Justiça e o cidadão. A possibilidade de acessar o processo de qualquer lugar, a qualquer hora, e o uso de uma linguagem mais próxima do cidadão brasileiro reforçam a tecnologia como uma das mais fundamentais tendências para a Justiça.

Além da tecnologia, projetos realizados por Tribunais, por exemplo, para atender a população em mutirões de conciliação tiram o peso de mais processos simples tramitando na Justiça e aumentando a morosidade.

Isso nos mostra que o diálogo da Justiça com o cidadão está maior. Entre as tendências para a Justiça, o caminho é que cada vez mais se resolvam dúvidas. Dessa forma, a Justiça brasileira se torna ainda mais aberta ao cidadão.

A Justiça é um direito do cidadão e essa aproximação é fundamental para promover a inclusão social.

Transparência em tramitação e gestão

Quando se trata de Justiça digital, transparência é um dos maiores temas debatidos. Com o uso de soluções para auxiliar a Justiça brasileira na tramitação de processos, ficou mais fácil e rápido verificar o processo e se seu andamento está ocorrendo de forma coerente.

No processo em seu formato físico, além do difícil acesso, havia problemas com mais frequência. Eventualmente, ocorria-se, inclusive, perda de alguma peça do processo. A tecnologia na Justiça também trouxe camadas de segurança que foram implementadas para garantir que fraudes e extravios não aconteçam.

Além disso, a gestão de municípios tende a ficar ainda mais eficaz em 2018. Isso porque, pensando ainda no auxílio do processo digital, já é possível reduzir o tempo de ajuizamento de processos e a burocracia, fazendo com que o município arrecade mais na cobrança da Dívida Ativa.

Seus comentários são sempre muito bem-vindos. Comente!

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3 Comentários

  • OSMAR RAMPONI LEITÃO
    Publicado 12/02/2018 em 07:14 | Link permanente

    é IMPORTANTE CRIAR CHATS ONDE OS INTERESSADOS PODERÃO OBTER ESCLARECIMENTOS SOBRE O PROCEDIMENTO A ADOTAR EM CASO DE DÚVIDAS.

  • Jose Carlos Grothe
    Publicado 09/02/2018 em 19:41 | Link permanente

    Ótimo sistema de organização

  • Valmor Serafim
    Publicado 09/02/2018 em 15:28 | Link permanente

    É isso, sempre evoluir, evoluir sempre. Muito bom, não, aliás ótimo o artigo escrito, divino. Parabéns.

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