Gestão Ágil: A necessidade de entender as pessoas que integram o time

07/03/2019 | 3 min. de leitura

Artigo escrito por: Thiago Roque, Agile coach do Grupo de Transformação Ágil (GTA) da Softplan

Desde que tive meus primeiros contatos com gerenciamento de projetos e gerenciamento de pessoas, entendi que a comunicação e o envolvimento da equipe em todas as etapas são primordiais para que se entenda que o sucesso das estregas é responsabilidade de todos. Porém, não posso dizer que sempre tive êxito ao tentar implantar essa forma de trabalho. Na verdade, ouso dizer que, infelizmente, foram poucas as vezes que consegui esse engajamento do time.

Em 2016, o cliente que eu atendia pela empresa que trabalhava na época decidiu pela implantação do Scrum. Quando fiquei sabendo que passaríamos por essa mudança de metodologia, um pensamento inundou minha mente: a partir de então conseguiríamos ter autonomia, envolvimento do time em todas as fases do processo e melhoria da comunicação, além de tantas outras coisas que havia lido e visto (mesmo que de forma idealizada ainda). Imediatamente, comecei a buscar artigos e a fazer contato com pessoas que tinham conhecimento deste novo mundo e tratei de aplicar o que entendi fazer sentido.

Parece um cenário perfeito, não é mesmo? Time auto gerenciável e com autonomia. E nós realmente tínhamos autonomia dentro da corporação, mas foi aí que começaram os problemas. Claro que uma parte do time estava adorando, mas algumas pessoas (inacreditavelmente, segundo minha avaliação na época) passaram a reclamar de se sentirem largadas. Cabe ressaltar que o time fazia uso de uma ferramenta para gerenciar as demandas na época, ou seja, era um “largado de forma estruturada”. Mas eles sentiam falta do modelo antigo em que uma gestão os direcionava.

Outros times, mesmos problemas

No início, achei que a situação fosse transitória, que era só uma questão de entenderem e se acostumarem com o novo modelo. Atuei em outras equipes e me surpreendi que o comportamento se repetia: pessoas criticando, pedindo maior controle por parte da liderança, ao mesmo tempo que outras adoravam a autonomia que finalmente vivenciavam. Dentro desse comportamento, consegui avaliar algo ainda mais profundo. Percebi que tinham:

  • Pessoas que queriam autonomia e performavam neste modelo;
  • Pessoas que queriam autonomia e não performavam neste modelo;
  • Pessoas que queriam controle e performavam com autonomia;
  • Pessoas que queriam controle e não performavam quando tinham autonomia.

Diante dessas constatações, precisei parar e refletir sobre o que fazer. E foi a partir dessa reflexão que, inclusive, pensei no título deste artigo. Daquele momento para cá, tenho observado bastante os movimentos que os times e as empresas fazem ao mudarem seus processos. E ao concluir recentemente o curso de analista PDA (Personal Development Analysis, metodologia para entender perfis comportamentais), pude comprovar essa necessidade de entender as pessoas que integram o time.

Conclusão

Existem diferentes perfis comportamentais entre as pessoas. Algumas realmente não conseguem se acostumar à grande autonomia e sofrem para realizar o trabalho do dia-a-dia. Dessa forma, concluímos que, como integrantes de um mundo Ágil, devemos entender o perfil de cada integrante do time e prover um ambiente para que cada um consiga realizar seu trabalho em toda sua potencialidade, sem que isso cause desconforto.

Uns vão performar melhor com autonomia. Outros acham que vão performar dessa forma, mas na verdade não vão. Alguns vão preferir ser gerenciados. E outros vão acreditar piamente que essa é a melhor forma para eles, sendo que isso se mostrará uma falácia.

Não é fácil lidar com pessoas não é mesmo? Existem muitas variáveis nesta equação, mas devemos pensar em cada uma como um sujeito pertencente à sua história e à história do grupo em que está inserida. Pensando assim, fica explícita a necessidade de colocarmos em prática e de forma correta os valores do Manifesto Ágil. E sempre lembrando que a chave do sucesso está nas pessoas, e não em frameworks ou métodos de trabalho.

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