Gestão Ágil: Entenda as necessidades humanas para aumentar a motivação das equipes

Gestão Ágil: Entenda as necessidades humanas para aumentar a motivação das equipes

Gestão Ágil Abraham H. Maslow

O Grupo de Transformação Lean-Agile (GTA) da Softplan tem a missão de impulsionar a agilidade efetiva e eficaz todos os níveis da empresa. Faz isso apoiando a mudança de mindset na gestão de pessoas, em processos e em ferramentas. Para o SAJ Digital, o time de GTA traz as experiências e exemplos de como a metodologia ágil vem sendo aplicada em uma grande organização.

No primeiro artigo sobre Gestão Ágil, Erasto Meneses, chief Agile coach, introduz o primeiro passo para garantir a motivação dentro de uma equipe. Confira.

***

Vivemos a maior transformação tecnológica dos últimos tempos, em que estamos cada vez mais conectados. As mudanças acontecem em ritmo acelerado. O que hoje acreditamos conhecermos, amanhã poderá não ser mais útil ou ser simplesmente melhorado, adaptado, adequado.

Devemos nos preparar para assumir e conduzir essas mudanças em benefício próprio, de nossas comunidades e de nossas empresas. Para isso, neste mundo digital, conectado e versátil, devemos nos preocupar pelos únicos que de fato conseguem fazer tudo acontecer: as pessoas como eu ou você.

Conforme entendemos que são as pessoas o principal fator desta revolução, maior proveito poderemos tirar de nós e de todos aqueles que atuam nesta transformação.

A Gestão Ágil, se bem conduzida, pode gerar benefícios a todos os envolvidos em qualquer nível de uma organização. Depois de vários estudos, compilações, troca de experiências, práticas e vivências, quero trazer para vocês o que eu considero os fatores determinantes para o sucesso.

1º passo para a gestão ágil: entender as necessidades humanas

Primeiro vamos nos apoiar na psicologia para entender, por outro ponto de vista, as necessidades humanas. O psicólogo americano Abraham H. Maslow propôs hierarquizar essas necessidades, baseado na ideia de que o ser humano se esforça muito para satisfazê-as. Isso tanto a nível pessoal quanto profissional.

No esquema, as necessidades de nível primário devem ser satisfeitas antes das de nível secundário. Assim, cada indivíduo tem que realizar uma “escalada” hierárquica de necessidades para atingir a sua plena autorrealização. Entendê-las é fundamental para implementar estratégias de gestão ágil.

Para tanto, Maslow definiu uma série de cinco necessidades do ser. Existem as necessidades primárias (básicas), que são as fisiológicas e as de segurança, e as necessidades secundárias, que são as sociais, de estima e de autorrealização.

Conheça cada uma delas:

  1. Necessidades fisiológicas. São aquelas que se relacionam com o ser humano como ser biológico. São as mais importantes: manter-se vivo, respirar, comer, descansar, beber, dormir, ter relações sexuais. No trabalho: Necessidade de horários flexíveis, conforto físico, intervalos de trabalho, etc.
  2. Necessidades de segurança. São aquelas vinculadas a viver sem perigo, em ordem, com segurança, etc. No trabalho: emprego estável, boa remuneração, plano de saúde, seguro de vida.
  3. Necessidades sociais. Envolvem relações humanas com harmonia: sentir-se parte de um grupo, ser membro de um clube, receber carinho e afeto dos familiares, amigos e pessoas do sexo oposto. No trabalho: Necessidade de conquistar amizades, manter boas relações, ter superiores gentis, etc.
  4. Necessidades de estima. Existem dois tipos: o reconhecimento das nossas capacidades por nós mesmos e o reconhecimento dos outros da nossa capacidade de adequação. Em geral, é a necessidade de sentir-se digno, respeitado, com prestígio e reconhecimento, poder, orgulho. No trabalho: Responsabilidade pelos resultados, motivação, reconhecimento por todos, promoções na carreira, feedback.
  5. Necessidades de autorrealização. Também conhecidas como necessidades de crescimento: a realização, aproveitar todo o potencial próprio, ser aquilo que se pode ser, fazer o que gosta e é capaz de conseguir. Relaciona-se com as necessidades de estima: a autonomia, a independência e o autocontrole. No trabalho: desafios, influência nas decisões, autonomia.

Aspectos relevantes a se considerar sobre a hierarquia de Maslow:

  • Para alcançar uma nova etapa, a anterior deve estar satisfeita, ao menos parcialmente. Uma vez que uma etapa está satisfeita, ela deixa de ser o elemento motivador do comportamento do ser, fazendo com que outra necessidade receba prioridade.
  • Os 4 primeiros níveis de necessidades podem ser satisfeitos por aspectos externos ao ser humano, e não apenas por sua vontade.
  • Importante: a necessidade de autorrealização nunca é saciada, ou seja, quanto mais se sacia, mais a necessidade aumenta.
  • Acredita-se que as necessidades fisiológicas já nascem com o indivíduo. As outras mostradas no esquema acima se adquirem com o tempo.
  • As necessidades primárias, ou básicas, se satisfazem mais rapidamente que as necessidades secundárias, ou superiores.
  • O indivíduo será sempre motivado pelas necessidades que se apresentarem mais importantes para ele.
  • Necessidades cognitivas

Depois de muitos estudos e análises adicionais, Maslow identificou duas novas necessidades à pirâmide já criada. Chamadas de necessidades cognitivas, elas atendem pessoas que já tiveram todas as necessidades anteriores satisfeitas.

São elas:

  • 6. Necessidade de conhecer e entender. Está relacionada com os desejos do indivíduo de conhecer e entender o mundo ao seu redor, as pessoas e a natureza. No trabalho: ser parte de um todo, acompanhar novas tendências e aprender novos conhecimentos, interagir com as comunidades que têm o mesmo interesse.
  • 7. Necessidade de satisfação estética. Está relacionada a beleza, simetria e arte em geral. Ligada à necessidade de estar sempre belo e em harmonia com os padrões de beleza vigentes. No trabalho: sentir-se bem, ter tempo para acondicionar a alma, o corpo e a mente, se divertir, ficar à vontade, relaxado e confiável.

Conclusão

Podemos dizer que temos uma grande capacidade de saber reconhecer qual o melhor modelo, processo, framework, ferramenta, etc. para os nossos projetos. Por outro lado. temos pouca capacidade de entender como conduzir os nossos times em função de suas necessidades, olhando só para as entregas e não para como elas acontecem — ou seja, o esforço de executá-las.

É por isso que devemos parar e pensar para definir melhores práticas e mecanismos. Só assim é possível manter a motivação de nossos times e obter os melhores resultados para uma gestão ágil.

Sugestões de leitura:

  • Management 3.0 – Jurgen Appelo
  • Drive ou Motivação 3.0 – Daniel H. Pink
  • The Toyota Way to Lean Leadership – Jeffrey K. Liker

Seus comentários são sempre muito bem-vindos. Comente!

Este espaço destina-se às repercussões sobre notícias e artigos publicados no SAJ Digital. São de responsabilidade de seus autores. Não servem como abertura de chamados e atendimentos para o portal e-SAJ.

Comentar

Seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios são marcados *