Artigo: como foi a experiência única de participar do maior hackaton do mundo?

07/03/2018 | 4 min. de leitura

Pense em um evento que reúne programadores, estudantes, designers e entusiastas, em um tipo de jornada ou maratona com o objetivo de criar soluções para problemas reais, produzindo algo que possa fazer a diferença na vida pessoas. Bem, isso existe e tem um nome: Hackathon. E eu posso dizer que participei do maior hackaton do mundo.

A palavra Hackathon é resultado da combinação entre os termos hack (programar com expertise) e marathon (maratona), mas já não se limita à produção de software, sendo empregada por diversas empresas ao redor do mundo na criação de alternativas para problemas. Em geral, é o ambiente ideal para o desenvolvimento da inovação e pode durar de um dia a uma semana, como uma evolução natural do brainstorming.

Neste relato, trago um resumo da minha experiência no Global Legal Hackathon, o maior hackaton do mundo. Realizado simultaneamente em mais de 45 cidades, espalhados pelos seis continentes, nos dias 23, 24 e 25 de fevereiro, a maratona foi dedicada a explorar soluções para o ecossistema da Justiça.

Leia mais
Softplan recebe maratona mundial voltada a soluções inovadoras para a Justiça

Solução mobile para auxiliar a apresentação à Justiça vence etapa Florianópolis do Global Legal Hackaton 2018

Nas 54 horas ao redor do mundo mais de 10 mil pessoas participaram e buscaram soluções inovadoras para aproximar a Justiça do cidadão. Como maratonista, afirmo que foi uma experiência única. Confira o que vivenciei no maior hackaton do mundo:

1 – Aprendizado

Durante todo o final de semana, vivi intensamente um ambiente colaborativo e de criação. Partindo de uma ideia inicial, nosso grupo, com o apoio de mentores experientes de diferentes áreas do conhecimento, debatemos propostas, discutimos as dores do Judiciário brasileiro chegando a uma proposta de valor clara e significativa. Ao final, tudo isso foi consolidado em um modelo de negócio viável e sustentável.

Paralelamente, a equipe de desenvolvimento já estava a todo vapor codificando, preparando o back-end, definindo a identidade visual, desenhando o layout do site e da aplicação Mobile, chegamos até realizar experimentos com as APIs de Inteligência Artificial (IA). No início do domingo, já tínhamos um produto mínimo viável (MVP). Nossos planos estavam se tornando realidade, a solução foi testada por parte dos maratonistas, mentores e a banca examinadora.

Posso afiançar que foi uma troca intensa de conhecimento. Aprendi, tão quanto tivesse lido um bom livro, participado de um seminário ou pago um curso com uma consultoria renomada. Voltei para casa exausto, mas com novas bagagens de aprendizado e experiências.

2 – Networking

Conheci muita gente legal nesses 3 dias, quase todos compartilhavam dos mesmos interesses que os meus, eram advogados, profissionais de tecnologia, recrutadores e até o moço do food truck.

Cada um me engrandeceu de uma maneira diferente, desde dicas de tecnologia, cuidados com crianças e até como eu deveria me portar durante a apresentação.

Sai com um bolso cheio de cartões e contatos no Linkedin, criando novas conexões que vou levar para toda a vida!!

3 – Colaboração com a causa

Sou suspeito, mas na minha opinião, um dos projetos mais bonitos e impactante foi o nosso, chamado de “Quando Ele Volta“. O aplicativo faz  alusão ao questionamento de uma criança sobre a previsão de liberdade de seu pai ou algum ente querido, que está preso.

A plataforma conta com o apoio de soluções cognitivas e inteligência artificial, para dar celeridade ao sistema de execução penal, garantindo que o condenado preso possa progredir de regime ou sair da prisão assim  que obtiver o direito.

Através do site ou app, a família e ou o Poder Judiciário tem acesso a um resumo simplificado do processo, com um gráfico intuitivo com previsão de progressão de regime e datas de liberdade. Para damos efetividade a solução, disponibilizamos alertas automatizados da progressão de regime, bem como, a geração de uma petição com os pedidos, que são encaminhados diretamente para os escritórios advocatícios e ou Defensoria Pública.

Desta maneira, acreditamos que estamos trazendo benefícios diretos a sociedade brasileira pela reintegração do preso no momento correto e também ao Judiciário pela economia processual e desoneração do sistema prisional.

4- Apresentação final e a premiação!

Com uma premiação interessante (R$ 8 mil para o primeiro colocado, R$ 4 mil para o segundo e R$ 2 mil para o terceiro) e a possibilidade de ir apresentar o projeto em Nova York, uma banca com sete examinadores julgaram os 10 projetos considerando originalidade, criatividade, impacto social, aplicação de tecnologia, sustentabilidade e escalabilidade.

Com apenas 5 minutos para vender o projeto, subi ao palco com um friozinho na barriga. Mas transmitir a mensagem dentro do tempo estipulado e ser aplaudido, é uma sensação muito muito boa, algo indescritível!!!

Ao final, fomos classificado em 3º lugar!!! Ganhamos um cheque de R$ 2mil para o nosso churrasco, uma proposta de 20 mil dólares da Google e a oportunidade de ir lá na frente e extravasar gritando “É TETRAAAAAA!!” completando com “Vai CORINTHIANS”. =)

Com esse relato gostaria encorajar as pessoas a participar desse tipo de evento e parabenizar a todos os participantes e a organização do evento. Foi muito legal e já estou procurando o próximo!! Quem sabe em NY? 😉

Seus comentários são sempre muito bem-vindos. Comente!

Este espaço destina-se às repercussões sobre notícias e artigos publicados no SAJ Digital. São de responsabilidade de seus autores. Não servem como abertura de chamados e atendimentos para o portal e-SAJ.

Leia também

Receba nossas novidades por e-mail:

Fale com o
especialista
Desenvolvido por: Linkedin Instagram