Série Ciência de Dados Aplicada à Justiça: Inteligência Jurídica Parte II – Instituições Públicas

09/04/2018 | 4 min. de leitura

No primeiro artigo da série ‘Ciência de Dados Aplicada a Justiça’, abordei o processo de transformação digital no meio jurídico e como está sendo minha experiência trabalhando com Data Analytics. Nesta segunda parte, foco nas instituições públicas e as saídas eficientes para uma Justiça mais ágil.

A sociedade está cada vez mais utilizando a Justiça para resolver seus problemas e, ao mesmo tempo, cobrando e aumentando a pressão sob o Poder Judiciário para uma maior celeridade processual.

A carga de processos por magistrados é um número assustador, beirando o humanamente impossível de ser lidado. E a tendência é que essa quantidade aumente cada vez mais.

Então, qual a saída para os Tribunais?

Para cumprir seus objetivos, sem pensar em uma grande mudança no orçamento e no aumento de funcionários, a resposta é apostar em tecnologia de ponta, começando pelo operacional.

As ferramentas digitais têm o propósito de auxiliar nas tarefas que demandam esforços repetitivos. Com isso, cartorários e juízes têm sua capacidade escalada e podem focar em tarefas mais estratégicas.

Um grande exemplo de tecnologias que auxiliam o Judiciário é o uso de análise de dados para dar uma visão completa ao Tribunal de Justiça sobre tudo o que já aconteceu e o que vai acontecer em relação aos seus processos judiciais.

Atualmente, trabalho com uma solução capaz de realizar esta tarefa. Trata-se do SAJ Insights, uma plataforma completa de Analytics que congrega indicadores de desempenho e uma visão holística da instituição.

Conectado às bases do cliente, o SAJ Insights é uma solução essencial de apoio à tomada de decisão em todas as esferas da organização, nos níveis operacionais, táticos e estratégicos.

Capaz de tornar as rotinas de trabalho mais eficazes, a solução aumenta o controle da produtividade no Tribunal de Justiça ao evidenciar os locais onde os indicadores têm baixa performance.

Todas essas informações são apresentadas em painéis com interface amigável. No exemplo fictício abaixo, a Instituição pode visualizar as suas principais métricas, como: IAD (Índice de Atendimento à Demanda), Taxa de Congestionamento e Duração Média Processual.

Ciência de Dados Aplicada à Justiça

 

Já no segundo exemplo abaixo, podemos detalhar as durações de cada fase do processo, a fim de encontrar as características que tornam o processo mais moroso e então, atuar para corrigir.

Ciência de Dados Aplicada à Justiça

Esta solução já está implementada no maior Tribunal da América Latina: o Tribunal de Justiça de São Paulo. Nele, tramitaram mais de 25 milhões de processos em 2017, sendo registradas mais de 500 milhões de movimentações.

Para que um relatório de Business Intelligence (BI) seja responsivo e funcional, é necessário que os dados sejam armazenados e cacheados em memória. E, como memória é um recurso caro se comparado com espaço em disco, é necessário que os dados originais sejam comprimidos de alguma forma.

Para isso, utilizamos o recurso do Analysis Services, na Azure, para modelagem e compressão dos dados. Mesmo após passar pelo excelente algoritmo de compressão da Microsoft, o modelo do TJSP ficou com mais de 50 GB de espaço ocupado em memória.

Com o modelo pronto, conectamos essa instância do Analysis Services ao Microsoft Power BI, a fim de criar os relatórios e compartilhar os dashboards com usuários finais.

Outro desafio muito grande é referente às regras de negócio, que devem ser condizentes com o que Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamenta. São regras e cálculos complexos que devem levar em consideração diversos fatores como: agrupamento de classes, assuntos e movimentações. Ou seja, não é nada simples criar o Data Warehouse (armazém de dados) e as medidas para esse tipo de negócio.

Confesso que ao entrar na Softplan e começar a estudar sobre Analytics na Justiça, fiquei bastante preocupado. Isso porque se tratava de um assunto totalmente novo para mim e que levaria alguns meses para ter domínio. Mergulhei de cabeça no mundo jurídico e posso dizer que tem sido muito gratificante fazer parte da construção de uma solução com tecnologia capaz de auxiliar um magistrado no seu dia a dia e no seu processo de tomada de decisão.

Não tenho dúvidas de que com o uso da ciência de dados aplicada à Justiça, é possível identificar falhas e criar planos com ações preventivas e corretivas no Poder Judiciário, de forma a aumentar a produtividade do Tribunal e, consequentemente, acelerar a diminuição da carga de processos dos magistrados.

No próximo artigo, da série Ciência de Dados Aplicada À Justiça, contarei um pouco sobre minha experiência com o Convex Legal Analytics, produto para departamentos jurídicos e grandes escritórios de advocacia.

Grande abraço!

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