Série Ciência de Dados Aplicada à Justiça: conheça o Convex Legal Analytics

02/04/2018 | 4 min. de leitura

O Convex Legal Analytics é o primeiro produto voltado para o mercado privado desenvolvido no Lab da Justiça. Nossa proposta é trazer previsibilidade e inteligência à análise jurídica de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos de empresas com grandes demandas judiciais.

Para isso, o Convex foi construído sob três pilares: engenharia de dados, ciência de dados e conhecimento especialista na Justiça.

Em artigo, da série “Ciência de Dados Aplicada à Justiça”, o especialista em big data analytics e colunista do SAJ Digital Tiago Melo complementa a primeira parte da série escrita por Leonardo Karpinski.

Engenharia de dados

O primeiro dos pilares, a engenharia de dados, responde pelas fundações do Convex. O desafio tecnológico para buscar dados públicos em mais de 200 sistemas diferentes, dos 90 tribunais do Brasil, é gigantesco.

No Convex, vamos além da garantia de coleta de todos os processos judiciais: guardamos, higienizamos, normalizamos e disponibilizamos esses dados para consultas dos usuários. E não nos limitamos aos dados estruturados – que são os dados preenchidos nos formulários. Também coletamos documentos públicos disponíveis, como petições iniciais e sentenças. E aqui entramos no nosso segundo pilar, a ciência de dados.

Temos duas frentes de trabalho. A primeira é focada em técnicas de processamento de linguagem natural, para extrair dados e informações dos dados não estruturados (ou seja, dos documentos juntados aos autos). Através dessas técnicas, conseguimos classificar os processos por temas de negócio.

Para uma operadora de planos de saúde, por exemplo, é possível classificar automaticamente todos os seus processos em erro médico, cirurgia bariátrica e rescisão unilateral de contratos. É possível, também, identificar quais são os procedimentos cirúrgicos e médicos que mais originam processos judiciais. Mudando de setor, para uma companhia aérea, imagine separar todos os processos referentes a overbooking e extravio de bagagens. Ou ainda, saber o voo específico ou o trecho da malha aérea que mais possui demandas judiciais.

O melhor exemplo da junção da engenharia com a ciência de dados são as “agulhas no palheiro”. Uma grande operadora de planos de saúde nos demandou recentemente que buscássemos referências cruzadas e correlações entre um tema de negócio, um médico e um hospital, para apoiar um processo de investigação interno de fraudes. Em 2 dias de trabalho buscamos essas correlações semânticas em uma base de 44 milhões de processos. Encontramos 86 “agulhas no palheiro”.

Ciência de dados

A segunda vertente do pilar de ciência de dados são as análises preditivas e prescritivas. Através de técnicas de aprendizado de máquina e inteligência artificial, conseguimos prever – com níveis até assustadores de assertividade – o resultado dos processos e quanto tempo irão durar.

A ciência de dados nos conecta com o terceiro, último e mais importante pilar do Convex: conhecimento do negócio. Como a Gartner – prestigiosa empresa de aconselhamento tecnológico – prega: technology is not the problem.

No Lab da Justiça, cientistas de dados e especialistas em Justiça trabalham lado a lado. Com essa sinergia, os eventos e marcos mais importantes na tramitação processual se transformam em ciência. Já na petição inicial, conseguimos medir sua eficácia com classificação dos motivos do indeferimento.

Esse indicador retroalimenta a operação do escritório ou do departamento jurídico para redigir as petições de modo que se antecipem aos despachos de emenda da inicial. Aplicamos esse mesmo conceito em praticamente qualquer evento do processo, tais como: penhoras e bloqueios de bens, acompanhamento do cumprimento de mandados e análise estratégica da parte contrária e intervenção de peritos.

Sobre o resultado, sabemos que a classificação entre favorável e não favorável não é suficiente. Em um processo de busca e apreensão de veículos, por exemplo, indicamos e prevemos os resultados de favorável com e sem retomada do veículo. Quando o processo é extinto, também vamos além. Indicamos se a extinção se deu por desistência, abandono ou outras causas.

Também sabemos que somente prever o resultado, por mais assertiva que seja a predição, não é suficiente para transformar a análise jurídica em processo científico. Junto com o cliente, parametrizamos uma série de regras de negócio indicando recomendações e orientações para cada processo.

Por exemplo, para um processo com o assunto de Seguro, que tenha pedido de danos morais, com probabilidade de ganho de 10% a 20%, tempo estimado de baixa de 400 dias e valor pedido de R$15 a 20.000,00, a orientação para o advogado ou audiencista será de oferecer acordo de até 50% do valor pedido.

É uma orientação clara e homogênea, baseado na probabilidade de ganho e tempo de processo, que leva em conta todas as nuances do processo (assunto, parte contrária, tipo de unidade judicial, pedidos e magistrado, entre outras).

Para um departamento jurídico de uma empresa que possui escritórios representantes em múltiplas cidades, o Convex permite o monitoramento de todos os processos acompanhados e métricas de desempenho desses representantes. Além dos processos próprios, carregamos no Convex a base de processos de empresas do mesmo setor. Assim, os clientes comparam seus resultados com as médias e benchmarks de seu setor.

Convex Legal Analytics

Feito para advogados, o Convex Legal Analytics é disponibilizado em uma plataforma na internet e no celular para usuários sem conhecimento em informática. Ele potencializa e fomenta análises avançadas, exploratórias e descobertas de forma autônoma. E junto com o Convex, oferecemos o serviço de nosso Lab da Justiça, com uma oferta singular de serviços customizados a cargo de cientistas de dados e especialistas em Justiça.

Temos convicção que o Convex terá um impacto altamente positivo no ecossistema da Justiça. Ele traz previsibilidade e maior simetria da informação às partes do processo. De posse das informações detalhadas e confiáveis, os intervenientes do processo passarão a agir de forma mais racional, o que potencializará, por exemplo, o recurso da conciliação.

Agora, de posse dos dados completos e das análises preditivas, empresas passarão a propor acordos em lugar de “empurrar o processo com a barriga”. E mais, as demandas judiciais passarão a retroalimentar a operação e gestão das empresas, fazendo com que ela identifique e corrija falhas no atendimento e na qualidade de produtos e serviços. A longo prazo, estamos falando de relações mais confiáveis e menos processos na Justiça.

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