Robôs inteligentes: como eles podem ajudar a Justiça brasileira

01/03/2019 | 3 min. de leitura

O uso de robôs inteligentes na Justiça está revolucionando a forma com que os resultados são entregues para o cidadão. A chegada do processo digital no Judiciário brasileiro permitiu que todas as informações de um processo sejam matéria prima para a realização de análises.

Ainda que as tecnologias disruptivas tornem a Justiça mais eficiente e assertiva, muitos advogados temem que elas representem o fim da profissão. Neste cenário, é importante identificar a oportunidade de um recomeço.

A capacidade de fazer análises com o suporte de dados reais se torna uma opção mais segura e assertiva, tanto para quem realiza a Justiça, quanto para quem a recebe. Adquirir novas habilidades, como a interpretação de dados, é algo que inevitavelmente entrará para a lista de capacidades dos especialistas da área jurídica.

É claro que a Justiça brasileira ainda não está em estágio de massificação dessas tecnologias, como os robôs inteligentes. Atualmente, essas soluções estão sendo testadas e melhoradas por especialistas da área jurídica.

Atividades como monitoramento de jurisprudências e de movimentações processuais, elaboração de contratos automatizados, entre outras, são possibilitadas pelo uso das mais diversas tecnologias. Atualmente, muitas áreas da Ciência de Dados, como Inteligência Artificial, jurimetria e Big Data, são utilizadas em conjunto na criação de soluções jurídicas cada vez mais funcionais e capazes de ajudar a Justiça brasileira.

4 maneiras de robôs inteligentes ajudarem a Justiça no Brasil

Distante do conceito de robôs como vemos nos filmes, os robôs inteligentes utilizados em soluções jurídicas são linhas de códigos e algoritmos treinados por cientistas de dados em conjunto com especialistas da área jurídica: juízes, advogados, promotores, desembargadores, etc. Confira exemplos de como robôs inteligentes podem ajudar a Justiça brasileira:

Análises preditivas

Acontecimentos, padrões e históricos. As análises preditivas servem para prever acontecimentos jurídicos, como a possibilidade de ter audiência, se haverá conciliação, qual o tempo de trâmite do processo. Muito influenciada pela estatística, a análise preditiva coleta e organiza os dados e, baseada nos conhecimentos passados, faz as previsões.

Um exemplo para as análises preditivas é o Convex Legal Analytics. A solução desenvolvida pela Softplan combina jurimetria e Inteligência Artificial para entender o que aconteceu, acompanhar a situação em tempo real e visualizar antecipadamente o que acontecerá nos casos trabalhos por departamentos jurídicos e escritórios de advocacia.

RPA

Abreviação para Robotic Process Automation, o RPA é utilizado para simplificar as operações repetitivas, escaláveis e em grande volume. Ao treinar um robô com automação cognitiva de processos, em conjunto com a Inteligência Aartificial, é possível que se realizem outras atividades que necessitam de maior cuidado, raciocínio e atenção de advogados, juízes e desembargadores. Assim, o RPA cria um “assistente virtual” capacitado para atividades jurídicas como. Exemplos de processo automatizado é  a realização de  bloqueio no Bacenjud, instrumento para a penhora online de bens, sem a necessidade de o usuário acessar o site, fazer login e informar o CPF.

Aplicação de PLN

Abreviação para Processamento de Linguagem Natural, o PLN faz parte do campo da ciência da computação que engloba a Inteligência Artificial e computação cognitiva, cujo foco está na interação entre os computadores e a linguagem (natural) humana.

O PLN pode ser aplicado para extrair a causa raiz de uma peça processual, por exemplo. Dentro da petição inicial, em que se explica o caso, há uma série de informações. São desenvolvidos, então, algoritmos de Inteligência Artificial baseados em um dicionário semântico com termos que se relacionam com o caso. A Inteligência Artificial elimina a necessidade de um ser humano ter que ler a petição inicial para entender qual foi a causa raiz do caso.

Inteligência Artificial

Além do uso em conjunto com outras áreas da Ciência de Dados, a Inteligência Artificial auxilia a Justiça brasileira na realização de leituras automatizadas de peças processuais para apoiar os juízes, eliminando a necessidade de releitura e agrupando melhor as peças. É possível analisar as decisões anteriores para formar jurisprudências para decisões futuras. O sistema de apoio à decisão é feito para recomendar e sugerir ações e argumentos.

Soluções assim podem ser projetadas para atender demandas específicas de cada instituição, seja ela um Tribunal ou um escritório de advocacia. O Judiciário brasileiro está entre os mais informatizadas do mundo. Este cenário possibilita uma abertura para que se utilizem robôs inteligentes em atividades  em todas as áreas do ecossistema da Justiça.

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